Fotografar é olhar (ou O Manifesto Fotográfico)

olá a todos. começo, aqui, os meus posts no palpitando.

nos meus updates, sempre fotografia – nas suas mais variadas facetas. pra começar, eu queria jogar um textículo incentivante à bela arte que é a fotografia. 

estamos passando por uma pequena banalização. tudo se tornou muito fácil, muito rápido e, infelizmente, sem propósito (mas isso já é muuuuuito assunto pra outros posts…). escrevi, quase que com lagriminhas nos olhos, esse texto aí embaixo. eu só queria que as pessoas olhassem novamente com olhos românticos para a fotografia.

o resultado, um quase-manifesto fotográfico, me faz querer pegar a minha câmera e sair capturando o mundo loucamente. espero despertar um pouco disso em você, caro(a) leitor(a)!

 

 

Fotografar é olhar (ou O Manifesto Fotográfico)

Fotografar é tentar aceitar a realidade à sua volta. Ou, ainda, revoltar-se com ela; denunciar, reportar, modificar, transmutar, exigir mais, exigir menos. Fotografar é expressar-se.

Por mais irônico que possa parecer, a fotografia – arte de se escrever com imagens – já foi explicada por muitos pensadores e comunicólogos através de infindáveis palavras. Talvez essa incapacidade de aceitarmos as coisas simplesmente como elas são seja a nossa força motriz em direção à (vã?) filosofia. Mas toda a filosofia da caixa preta – como bem colocou Vilém Flusser – nos leva a crer que o ato fotográfico é muito mais que um simples registro, uma simples transmutação da realidade em imagem fixa, eterna, imóvel.

Se a fotografia é a nossa percepção de mundo, de realidade exterior, façamos dela a mais pura e clara possível – ainda que sempre individualizada. É muito fácil dizer com palavras aquilo que se está sentindo – ainda que os verdadeiros poetas prefiram esconder com palavras verdadeiras as mentiras que eles não sentem. Mas sempre vi na fotografia um profundo desafio de representação de identidade: como passar, através de uma imagem retirada do mundo real, o que se está sentindo?

Este é o desafio que proponho a todos vocês: que levem a fotografia a um novo patamar que não só o do registro. Que se aproveitem de uma máquina que não só faz fotos, mas representações, desejos, sentimentos. Que vocês registrem não os fatos, mas os seus fatos. As suas visões do mundo. Que vocês saibam dizer com imagens aquilo que pensam.

Dizem que os olhos são as janelas da alma. Que, neles, podemos ver o que uma pessoa realmente é. Então, que melhor modo de mostrarmos o que temos por dentro do que capturando aquilo que nos capturou o olhar e, portanto, a alma?

Fotografem. Com o olhar, com a alma, com o coração.

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4 Comentários

Arquivado em Fotografia

4 Respostas para “Fotografar é olhar (ou O Manifesto Fotográfico)

  1. Como disse minha ex-chefe: tem fotografias que só o olho tira.
    Acho que até por trás do aparato mais elaborado ou mais caro de fotografia há sempre o olho humano e, como você disse, sua alma. Para mim, essa é a verdadeira máquina fotográfica.

    Parabéns pelo primeiro post!
    beijos

  2. Miriam

    Fotografar também é tornar eterno – como os sentimentos.

    Mil beijos

  3. erica chaves

    já vejo um monte de engravatados saindo dos escritórios com suas cameras e seus celulares com camera depois de ler seu post. a eles, em meu sonho, se misturam milhares de japoneses com suas cameras ultra modernas e o fazer fotos registrando os “seus fatos” como vc diz, vira um ato democrático mais que tudo….

  4. “ainda que os verdadeiros poetas prefiram esconder com palavras verdadeiras as mentiras que eles não sentem”… Simplicidade sublime!

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