Meu início

Por Cássia Alves

Comecei conosco. Agora sou eu. Fiquei pensando em como seria começar falando de mim, e nada melhor do que uma crônica. E assim começarei de algo que sempre passa pela minha cabeça quando penso em pautas: minha dificuldade e/ou bloqueio em escrever. Na verdade, não é exatamente nem uma coisa nem outra.

O fato é que tenho um defeito terrível. Quando escrevo, acho que minhas palavras não têm sentido ou são muito banais. Uma sensação de “por que escrevo isso se alguém já escreveu sobre o mesmo tema muito melhor do que eu?”, e me sinto incompleta. Afinal escrever tem sido a minha vida, minha profissão, meu lazer e minha válvula de escape. Estas palavras que me parecem tão banais, algumas vezes tolas e até infantis, ainda são uma forma de me esvaziar.

Outro dos meus maiores defeitos. Guardo; tudo. Não que eu seja rancorosa, longe disso. Consigo perdoar facilmente, apesar da confiança não se reestruturar tão fácil assim. Mas quando as coisas acontecem, é complicado para que eu externe de imediato. Principalmente com coisas que se relacionam às minhas outras fraquezas. Tenho medo de parecer fraca. O mal das mulheres que aprendem na marra a ser fortes.

Então, corro para meu caderno preferido, para uma folha avulsa no meio das minhas anotações do trabalho ou o Bloco de Notas e escrevo, até sentir que não há mais nada dentro de mim que possa virar uma palavra. Quando consigo me desapegar dessas barreiras, até escrevo textos que considero bons de fato. E até consigo mostrá-los para as outras pessoas ou torna-los públicos, como é o caso dos meus blogs (e deste, no caso). Uma evolução e tanto, diga-se de passagem. Tenho mais de uma centena de poemas escritos desde os treze anos que pouquíssimas pessoas já leram. Não porque eu confiasse em poucas pessoas que pudessem ler o que eu tinha escrito, mas porque eu julgava de tão baixa qualidade e tão íntimo que eu sentia medo.

Acho que ainda tenho medo de me expor. Tenho medo de mostrar esta versão que escreve e coloca sua alma no papel porque é alguém diferente da pessoa que anda por aí, tem cabelos cacheados, faz faculdade de jornalismo e gosta de sair com os amigos. Sou muito mais introspectiva, medrosa e insegura do que pareço. Mas esta pessoa vai ficando para trás aos poucos; e dou lugar sim a tal profissional assessora de imprensa que descobriu nesse mundo blogueiro uma maneira de expor seus sentimentos. Uma pessoa que não tem medo nenhum de ser feliz, e consegue viver sua vida de uma maneira espontânea e sem ligar para os conceitos pré-estabelecidos. E que tenta não apagar seus textos, depois de dois parágrafos escritos.

Mas ainda sou uma menina quando vai escrever, e se lembra sempre de todos os poemas de amor que escrevia no colégio para o garoto bonitinho que nunca daria bola pra ela… E transparece suas fragilidades e que se sente uma adolescente ao escrever textos como este. Mas que começa a ter consciência que textos assim também são bons.

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3 Comentários

Arquivado em Crônica

3 Respostas para “Meu início

  1. erica

    caraio, desculpem os outros, mas esse texto mexeu comigo…
    nossa cassia, vc me fez sentir uma velha…acho que eu era assim como vc há uns 3 anos….agora nao escrevo mais nada (só profissionalmente, claro)
    adorei o texto, mas agora me sinto muito muito triste e nao quero que vc deixe de escrever por lazer nunca nunca nunca….
    beijos!

  2. Beto Alves

    Bom, nada mais justo do que deixar um comentário depois da indicação do blog pelo twitter né?! rs
    Melhor ainda foi a surpresa de ver que o primeiro texto que apareceu foi o seu..e que texto hein!! rs Achei a forma como escreve bem sincera, transparente, mas em nenhum momento me passou a fragilidade que você diz ter! Na verdade acho que conheci você mais profundamente pelo texto do que quando passamos um dia inteiro juntos na ECA!! rs E o que vi aqui foi uma mulher que pensa ser frágil como o cristal, mas na verdade é forte como o diamante! =) E isso não é só pra te agradar não…tô sendo bem sincero! rs
    Enfim, como isso é um comentário e não um pergaminho, vou ficando por aqui…na espera de mais textos bonitos como esse e dos outros autores também!
    Beijos! 😉

  3. André Sobreiro

    Amor,

    q coisa linda… me fez lembrar demais da nossa conversa nos puffs da Livraria Cultura… acho q o amor pelas palavras, pela escrita que nos faz ser quem somos… feliz sempre em ler vc…

    Bjs

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