O tal do dever cívico

Por Cássia Alves

Hoje é mais um dos dias simbólicos para a democracia mundial. Eleições na dita maior potência do mundo, os Estados Unidos, escolhem entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain. Não venho aqui debater quem vai ganhar, ou quem será melhor para o andamento do mundo. E sim pra pensar no poder do voto. Enquanto aqui no Brasil, a Lavínia Vlasak aparece grávida e toda fofa mostrando a importância do tal “dever cívico”, artistas americanos se uniram e montaram uma campanha (Leonardo di Caprio, por meio de sua produtora, é o mentor da idéia) a produzir um vídeo em que incentiva os eleitores a não votar. Bem diferente, não?

Pois é. De acordo com o vídeo americano, um voto não é nada. A não ser que você se preocupe com coisas “bobas”, como a Guerra no Iraque. Ou com a crise econômica. Ou até mesmo a sua saúde, sua educação, e essas coisas. Bobagem, não? E aí fica a minha dúvida: será que essa psicologia reversa daria certo aqui no nosso Brasilzão? Eu acredito que ainda precisamos do apelo sentimental pra mostrar que o voto é importante. Até mesmo numa democracia que de tão livre obriga seus eleitores a votar. Claro que o povo brasileiro não é burro, isso se volta muito mais a um apelo sentimental do que algo que menospreze a inteligência do povo. As tais das diferenças culturais.

Dando uma olhada pela internet sobre esse assunto, vi que o UnderGoogle postou um texto hoje falando se os brasileiros votassem para algum candidato americano e para isso utilizasse como fator de influência do voto o número de vezes que ele citou o Brasil. Obama falou do Brasil apenas uma vez em seus discursos, e McCain sete, uma delas inclusive defendendo a possibilidade do país entrar no G8. Ao mesmo tempo, as pesquisas com o público brasileiro (e interneteiro) é que Obama ganharia facilmente. Outros fatores influem, e este é só um exemplo que um plano de campanha não faz um candidato.

Carregar o Bilhete único na catraca ou buscar o governo federal para ampliar o metrô não garante o sucesso de um candidato. Talvez essa sim seja uma lição que podemos aprender com as eleições americanas – o poder de ponderar muita coisa antes de chegar na urna e depositar aquele votinho que tem um peso enorme e não precisar mais de campanhas fofinhas que tentem mostrar isso com outro viés. E talvez eles tenham que aprender sim conosco os métodos de informatização das eleições – com ressalvas à manipulação, obviamente. Porque aí nenhuma democracia consegue vencer. E talvez um dia eu me sinta confortável novamente para não mais anular meu voto.

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2 Comentários

Arquivado em Crônica

2 Respostas para “O tal do dever cívico

  1. gostei bastante, cáspita.

    vc chegou a ouvir um discurso do obama? cara, sem brincadeira… aquilo é d trazer lágrimas aos olhos. o cara fala de uma maneira muito foda.

    e acho q, aqui no brasil, ele só ganha fácil pq muitos encaram o mccain como seguidor do bush.

    sei lá. tópico difícil…

  2. erica chaves

    primeiro gostaria de falar que curti o texto. foi a coisa mais relacionada que li sobre as eleiçoes e o brasil. mas gente, um comentario nada a ver: putaquepariu, como se fala nessa merda. Aqui as principais tvs ficaram mais de 8 horas ao vivo acompanhando as eleiçoes!!!! cara, que insuportavel. no site em que trampo tb, fizeram um carnaval aqui por isso….aí o chefe me deixou escrever um texto com pseudonimo sobre a minha indignaçao (http://www.soitu.es/participacion/2008/11/06/u/carolteixeira_1225992950.html). eu quero mais é que o dever civico vá a merda se ele vier junto com bottons, jogos de videogame e todo o resto que tive que suportar nessa terra. até parece que to nos eua…cheat.

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