Arquivo do autor:Caio Paganotti

Sobre Caio Paganotti

fotógrafo e poeta.

retrato em branco e preto

“… e o que é que eu posso contra o encanto
desse amor que eu nego tanto
evito tanto e que no entanto
volta sempre a enfeitiçar
com seus mesmos tristes velhos fatos
que num álbum de retratos
eu teimo em colecionar

(…)

eu trago o peito tão marcado
de lembranças do passado e você sabe a razão
vou colecionar mais um soneto
outro retrato em branco e preto
a maltratar meu coração”

se tom e chico me deram o tom, quem sou eu para negá-lo?

a vida em p&b é mais simples, mais enxuta e, quiçá, mais facilmente entendível – daí a expressão “preto no branco”. não quero tár menosprezando as cores também – elas guardam, sim, um lugarzinho especial no meu coração. mas o p&b sempre me fascinou. ele me parece mais vivo, mais expressivo. therefore, creio que o melhor resultado ao se retratar alguém surgirá em p&b.

gosto bastante de tirar fotos de pessoas. elas são imprevisíveis, e é exatamente isso que você pode esperar dos resultados (com o perdão do oxímoro).

grandes retratistas já fizeram a sua história (quem sabe um dia eu não chego lá?). gosto bastante do marcio scavone (entrem na seção de retratos e entendam a força do p&b), que fotografou bastante (será que ainda o faz?) pra última página da carta capital. sempre um perfil interessante de alguma personalidade xis.

o scavone também usa umas cores aqui e acolá, mas certas coisas são apenas perceptíveis em p&b. há algum outro jeito de retratar jô soares? ou outro modo de capturar todas as marcas de expressão da fernanda montenegro?

bom, o scavone é só um exemplo aqui da terrinha. tem o bob wolfenson, que tá no masp desde 1990, mas, infelizmente, caiu nos olhos do povo só após clicar para a playboy. o richard avedon, provavelmente, é um dos maiores retratistas ever. gosto bastante do elliott erwitt, e não só dos seus retratos. e, pelamor, entrem na parte de portraits do site dele e vejam o retrato da marilyn (é o primeiro da seqüência), que é uma das coisas mais perfeitas desse mundo (o retrato, ok?)

bom, chega de palavras. aí vai uma série de retratos de alguns amigos.

enjoy!

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zombie walk

são paulo é um país de contrastes, diria bart simpson.

temos de tudo neste amontoado de carros e prédios e nuvens – todos cinzas. nesse ajuntado de pessoas e sentimentos e sorrisos e lágrimas. enfim, nisso tudo que resolvemos chamar de cidade.

parada do orgulho gay, festa do ano novo, passeata de sei-lá-o-que de cristo, parada do orgulho hétero, greve dos professores… a avenida paulista é palco de grandes momentos paulistanos no decorrer do ano. neste último domingo, 2 de novembro – feriado de que muitos se esqueceram -, os finados saíram de fininho (tu-dum tsch!) do túmulo e foram se arregimentar no vão do masp: estava pra começar mais uma zombie walk. dê uma olhada tb no site oficial. e no site de são paulo, q não tem praticamente nada de informação, mas tem dois zumbizinhos q ficam andando em baixo q são muito fofos…

lá pelas 15h, uns mortos-vivos começaram a aparecer.

vou parar esse relato pra pôr pra fora uma dúvida. em inglês, morto-vivo aparece como undead. como algo pode ser undead? teoricamente, dead é o oposto de alive. então undead é alive? ou é outra coisa? e pq não existe unalive, então?

pronto.

bom, o evento foi sensacional! divertidíssimo. pra quem tava nele e tb pra quem tava só observando. queria ter ficado até o final para ver a galera andando pelas ruas, mas a chuva e o medo de ter o equipo afanado me levaram pra casa mais cedo.

abaixo, as fotos dos preparativos e da galera fazendo um esquenta.

enjoy!

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saídas por são paulo

Por Caio Paganotti

são paulo. essa cidade é grande. mesmo. de verdade. é praticamente impossível conhecer todos os seus lugares – ou conhecer todos os seus moradores. e cada dia que chega é uma nova chance de se surpreender com alguma coisa ou alguém.

um grupo de amigos fotógrafos resolveu se reunir e montar um site destinado a saídas fotográficas. de uma coisa simples, nasceu uma grande e complexa rede de amigos e conhecidos que se encontram (aproximadamente uma vez por mês) pra fotografar em algum lugar. o saidasfotograficas.com.br não é filho único na internet; o ser humano é um bicho social e, sempre que possível, se organizará em bandos.

já fui em algumas saídas com esse grupo. o pessoal é legal, as escolhas de lugar são muito boas. e o resultado é acolhedor: todos partilham as fotos feitas na saída – é só postar no site.

estou tentando fazer algo parecido com um grupo de amigos da ECA-USP – um grupo de fotógrafos e interessados e apaixonados pela fotografia que se junte pra sair e tirar umas fotos. vamos ver no que vai dar.

enquanto esse projeto não sai direito, vou continuar indo nas saídas fotográficas… é um jeito muito legal de treinar o olhar.

as fotos aí embaixo são de uma saída feita na casa das caldeiras, uma antiga fábrica na francisco matarazzo, quase na pompéia. uma daquelas casas antigas que, agora, abrigam eventos, formaturas, festas, coquetéis etc. é uma boa idéia. o local é bem amplo e acomoda muitas pessoas.

bom… fotos no bom e velho p&b. em digital.

enjoy!

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profissão?

Por Caio Paganotti

você, querido jornalista, perde uma oportunidade de trabalho porque teve um outro carinha que comprou um computador e começou a escrever.

você, querido publicitário, perde o trabalho dos sonhos porque teve outra pessoa que baixou o illustrator na internet.

você, querido maestro, é substituído na sua câmara porque teve um cara que comprou os 20 maiores sucessos da década de 80 – e agora “tá mandando muuuuito” (por um precinho mais camarada).

você, querido cirurgião, é substituído no seu hospital por um cara que achou um jogo de bisturis muuuuito estáile da década de 20 por 50 conto no mercado livre.

pode parecer bizarro, mas isso realmente acontece em certas profissões.

acho que o papo hoje será meio chato, mas tava tudo entalado na minha garganta e resolvi pôr (porque o acento diferencial AINDA não caiu!) pra fora.

tirem 6 minutinhos da vida de vocês e assistam o programa engraçadinho do luís fernando guimarães:

e aí? o que eu faço com os anos de estudo, os váááários filmes batidos, as noites em claro estudando fenômenos de óptica, buscando referências, aperfeiçoando a prática, lendo livros sobre a linguagem fotográfica e sobre a filosofia da caixa preta?

aí chega um carinha num fórum de fotografia em que eu participo e diz: “putz, peguei um casamento pra fotografar! tinha um outro cara que ia fotografar, mas aí eu joguei o preço lá embaixo e peguei o trampo! shuashuahuashua ow, mas o q q é “mm” numa câmera? e f/ sei lá o q? eu preciso saber dessas coisas pra fotografar um casamento?”

e aí? sento e choro?

infelizmente, estou realmente num mercado em que basta comprar uma câmera fotográfica para ser fotógrafo. o que faço? passo fome ou cobro um real por fotos? aí, com trabalhos de 50 fotos, só preciso realizar uns 100 trabalhos pra poder fazer um upgrade no equipamento. e esqueça as contas, meu amigo…

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benedixto calito

Por Caio Paganotti

eu tava escrevendo outro artigo pra colocar aqui. mas parei no meio. sei lá. acho que já tem muita palavra por aqui…

então resolvi colocar umas fotos do meu arquivo. achei uma saída interessante que eu fiz com a thaís renzi (ela colocou as fotos aqui e aqui tb) pra benedito calixto (vale a pena entrar no site oficial e ver o vídeo sensacional pra promover a praça – qualquer um ficaria com vontade de visitá-la depois do vídeo).

acho que você ainda não é paulistano de verdade se você ainda não foi na benê. vá. nesse próximo fim de semana, se possível. aproveite e coma um acarajé tipicamente baiano feito em são paulo.

a feirinha é uma junção de situações, pessoas e coisas que não deixa os olhos parados. minha dica é: vá e leve uma câmera. só as cores presentes nas inúmeras tendinhas já são espetáculo suficiente pra você querer aprimorar a arte da captura com o olhar.

bom, aí vão algumas fotos dessa saída que eu fiz – vá com sol, caro(a) leitor(a)! normalmente, fecho os canais da câmera e capturo tudo em P&B. mas na benê, tinha q ser em cor. a última foto, do cachorro, não é na feirinha. mas esse cachorro resume, pra mim, o que é o paulistano. então resolvi colocar aí.

enjoy!

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Fotografar é olhar (ou O Manifesto Fotográfico)

olá a todos. começo, aqui, os meus posts no palpitando.

nos meus updates, sempre fotografia – nas suas mais variadas facetas. pra começar, eu queria jogar um textículo incentivante à bela arte que é a fotografia. 

estamos passando por uma pequena banalização. tudo se tornou muito fácil, muito rápido e, infelizmente, sem propósito (mas isso já é muuuuuito assunto pra outros posts…). escrevi, quase que com lagriminhas nos olhos, esse texto aí embaixo. eu só queria que as pessoas olhassem novamente com olhos românticos para a fotografia.

o resultado, um quase-manifesto fotográfico, me faz querer pegar a minha câmera e sair capturando o mundo loucamente. espero despertar um pouco disso em você, caro(a) leitor(a)!

 

 

Fotografar é olhar (ou O Manifesto Fotográfico)

Fotografar é tentar aceitar a realidade à sua volta. Ou, ainda, revoltar-se com ela; denunciar, reportar, modificar, transmutar, exigir mais, exigir menos. Fotografar é expressar-se.

Por mais irônico que possa parecer, a fotografia – arte de se escrever com imagens – já foi explicada por muitos pensadores e comunicólogos através de infindáveis palavras. Talvez essa incapacidade de aceitarmos as coisas simplesmente como elas são seja a nossa força motriz em direção à (vã?) filosofia. Mas toda a filosofia da caixa preta – como bem colocou Vilém Flusser – nos leva a crer que o ato fotográfico é muito mais que um simples registro, uma simples transmutação da realidade em imagem fixa, eterna, imóvel.

Se a fotografia é a nossa percepção de mundo, de realidade exterior, façamos dela a mais pura e clara possível – ainda que sempre individualizada. É muito fácil dizer com palavras aquilo que se está sentindo – ainda que os verdadeiros poetas prefiram esconder com palavras verdadeiras as mentiras que eles não sentem. Mas sempre vi na fotografia um profundo desafio de representação de identidade: como passar, através de uma imagem retirada do mundo real, o que se está sentindo?

Este é o desafio que proponho a todos vocês: que levem a fotografia a um novo patamar que não só o do registro. Que se aproveitem de uma máquina que não só faz fotos, mas representações, desejos, sentimentos. Que vocês registrem não os fatos, mas os seus fatos. As suas visões do mundo. Que vocês saibam dizer com imagens aquilo que pensam.

Dizem que os olhos são as janelas da alma. Que, neles, podemos ver o que uma pessoa realmente é. Então, que melhor modo de mostrarmos o que temos por dentro do que capturando aquilo que nos capturou o olhar e, portanto, a alma?

Fotografem. Com o olhar, com a alma, com o coração.

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