Arquivo da categoria: Crônica

Hoje matam por nada

Por Cássia Alves

Primeiramente, desculpem a falta de posts da minha parte nas últimas semanas. Combinações maldosas no final do ano acabam nos impedindo de fazer o que a gente gosta… Mas enfim. Volto aos meus textos para escrever sobre algo que tem me feito pensar muito nos últimos tempos. (nada positivo, mas vamos lá)

Ao longo do último mês, foram anunciadas diversas mortes bizarras: um rapaz foi morto dentro das Casas Bahia pelo vigilante por estar mal vestido. Uma mulher e o filho são atirados pela janela pelo marido (ou impelidos por ele a pular), um policial que confunde o carro de bandidos com o de uma família e mata um garoto de três anos e é absolvido. Isso tudo é resultado da tal selva de pedra e vida “civilizada” que dizemos viver nas grandes metrópoles? Ou então de uma ênfase que os jornalistas dão à cobertura policial (reflexo daqueles programas ícone do final da tarde repletos de sangue)?

Será que é tão bom assim toda a civilização que dizemos usufruir das capitais? Eu sou do tipo que diz que não conseguiria morar em outra cidade que não São Paulo, mas lembro muito bem quando vi o pequeno supermercado ao lado da casa dos meus pais na Zona Sul daqui de São Paulo ser assaltado e eu estar presente, ou diversas bolsas arrancadas de suas donas na esquina da Paulista com a Augusta e o dia em que um homem me levou cinco reais quando eu ia pro cursinho (e não levou mais porque num ato de desespero eu escondi meu celular, mesmo correndo risco).

Tem sido complicado abrir os jornais todo dia e torcer para que a única vez que a palavra mosrte seja citada é no quadro “Mortes”, em que os parentes anunciam as mortes de seus entes queridos (o que eu também acho de um mau gosto extremo). Eu não lido bem com a morte e nunca lidarei (mas também sei que não vou viver pra sempre =p). Por isso mesmo, acho que o jornalismo poderia muito bem rever estes conceitos de noticiar as mortes das pessoas assim, como se a vida não valesse nada, pois assim me parece que reforça ainda mais essa história da vida parecer não ter valor algum (motivo pichado na fachada da tal loja das Casas Bahia em que o rapaz foi assassinado).

E o mundo poderia ser um pouquinho mais humano e as pessoas pensarem no valor que a vida tem pra elas antes de cometer qualquer ato contra outro. Afinal de contas, contrariando um dito que descobri ter ficado popular, somos nós quem matamos ou decidimos sobre a vida de alguém assim que partimos para o ato violento, não Deus ou qualquer entidade religiosa a qual alguém possa estar submetidos. Precisamos parar também de sempre nos submeter a forças divinas/religiosas/superiores e isentar nossa culpa. Aqui se faz, aqui se paga. Mas isto é uma briga minha com as crenças e talvez assunto para um próximo post. =)

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O tal do dever cívico

Por Cássia Alves

Hoje é mais um dos dias simbólicos para a democracia mundial. Eleições na dita maior potência do mundo, os Estados Unidos, escolhem entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain. Não venho aqui debater quem vai ganhar, ou quem será melhor para o andamento do mundo. E sim pra pensar no poder do voto. Enquanto aqui no Brasil, a Lavínia Vlasak aparece grávida e toda fofa mostrando a importância do tal “dever cívico”, artistas americanos se uniram e montaram uma campanha (Leonardo di Caprio, por meio de sua produtora, é o mentor da idéia) a produzir um vídeo em que incentiva os eleitores a não votar. Bem diferente, não?

Pois é. De acordo com o vídeo americano, um voto não é nada. A não ser que você se preocupe com coisas “bobas”, como a Guerra no Iraque. Ou com a crise econômica. Ou até mesmo a sua saúde, sua educação, e essas coisas. Bobagem, não? E aí fica a minha dúvida: será que essa psicologia reversa daria certo aqui no nosso Brasilzão? Eu acredito que ainda precisamos do apelo sentimental pra mostrar que o voto é importante. Até mesmo numa democracia que de tão livre obriga seus eleitores a votar. Claro que o povo brasileiro não é burro, isso se volta muito mais a um apelo sentimental do que algo que menospreze a inteligência do povo. As tais das diferenças culturais.

Dando uma olhada pela internet sobre esse assunto, vi que o UnderGoogle postou um texto hoje falando se os brasileiros votassem para algum candidato americano e para isso utilizasse como fator de influência do voto o número de vezes que ele citou o Brasil. Obama falou do Brasil apenas uma vez em seus discursos, e McCain sete, uma delas inclusive defendendo a possibilidade do país entrar no G8. Ao mesmo tempo, as pesquisas com o público brasileiro (e interneteiro) é que Obama ganharia facilmente. Outros fatores influem, e este é só um exemplo que um plano de campanha não faz um candidato.

Carregar o Bilhete único na catraca ou buscar o governo federal para ampliar o metrô não garante o sucesso de um candidato. Talvez essa sim seja uma lição que podemos aprender com as eleições americanas – o poder de ponderar muita coisa antes de chegar na urna e depositar aquele votinho que tem um peso enorme e não precisar mais de campanhas fofinhas que tentem mostrar isso com outro viés. E talvez eles tenham que aprender sim conosco os métodos de informatização das eleições – com ressalvas à manipulação, obviamente. Porque aí nenhuma democracia consegue vencer. E talvez um dia eu me sinta confortável novamente para não mais anular meu voto.

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Time…

Por Cássia Alves

Qual o tempo o tempo tem? Qual valor os acontecimentos tem para cada um de nós? A intensidade ou a duração? Seria um namoro de sete anos melhor do que um affair de algumas semanas? Um trabalho temporário com um grande executivo da área que você mais gostaria de trabalhar é tão pior que um trabalho estável de uma vida inteira?

Qual valor da vida? Qual o valor que damos para cada coisinha que fazemos? Ou será que damos é valor demais pro que a gente faz simplesmente porque queremos aproveitar essa chance de fazer algo? E se a gente se arrepender? Mas… será? Vemos essa semana um caso bem exemplar: o cara que enlouquece com o fim de alguma coisa, e toma medidas drásticas. Qual o valor desse relacionamento pra garota? Quanto tempo da vida dela ela achou que destinaria ao relacionamento? Ou será que ela pensou nisso de fato? Será que ela pensou algum dia que isso poderia custar sua vida?

Muitas vezes supervalorizmos demais as coisas. Fazemos daquilo o “it’s now or never”. E depois, a gente se toca e vê que não valia de quase nada. Porque tudo é tão passageiro e tão banal perto do que a gente realmente precisa valorizar na vida… Ou então é somente uma etapa do que realmente precisamos fazer. A gente sempre acha o problema do momento maior do que qualquer outro que já tenhamos enfrentado; até passar por ele, e ver que o seguinte é pior ainda. E assim será até o final do vida. Como eu disse ontem no Busca de Sentidos: é um labirinto diferente em cada fase do jogo, e se você souber o mapa antes, não terá graça nenhuma.

É aquele negócio: tenho meus braços, minhas pernas, consigo colocar ar pra dentro dos meus pulmões, e só isso importa. Poder viver. O resto que virá é lucro.

( Fazendo as vezes de Amanda: desculpem se este post pareceu mais reflexivo que os anteriores. Acho que finalmente consegui estabelecer a “linha editorial” dos meus textos daqui. Fases de adaptação, logo logo uniformiza! 😉  )

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Meu início

Por Cássia Alves

Comecei conosco. Agora sou eu. Fiquei pensando em como seria começar falando de mim, e nada melhor do que uma crônica. E assim começarei de algo que sempre passa pela minha cabeça quando penso em pautas: minha dificuldade e/ou bloqueio em escrever. Na verdade, não é exatamente nem uma coisa nem outra.

O fato é que tenho um defeito terrível. Quando escrevo, acho que minhas palavras não têm sentido ou são muito banais. Uma sensação de “por que escrevo isso se alguém já escreveu sobre o mesmo tema muito melhor do que eu?”, e me sinto incompleta. Afinal escrever tem sido a minha vida, minha profissão, meu lazer e minha válvula de escape. Estas palavras que me parecem tão banais, algumas vezes tolas e até infantis, ainda são uma forma de me esvaziar.

Outro dos meus maiores defeitos. Guardo; tudo. Não que eu seja rancorosa, longe disso. Consigo perdoar facilmente, apesar da confiança não se reestruturar tão fácil assim. Mas quando as coisas acontecem, é complicado para que eu externe de imediato. Principalmente com coisas que se relacionam às minhas outras fraquezas. Tenho medo de parecer fraca. O mal das mulheres que aprendem na marra a ser fortes.

Então, corro para meu caderno preferido, para uma folha avulsa no meio das minhas anotações do trabalho ou o Bloco de Notas e escrevo, até sentir que não há mais nada dentro de mim que possa virar uma palavra. Quando consigo me desapegar dessas barreiras, até escrevo textos que considero bons de fato. E até consigo mostrá-los para as outras pessoas ou torna-los públicos, como é o caso dos meus blogs (e deste, no caso). Uma evolução e tanto, diga-se de passagem. Tenho mais de uma centena de poemas escritos desde os treze anos que pouquíssimas pessoas já leram. Não porque eu confiasse em poucas pessoas que pudessem ler o que eu tinha escrito, mas porque eu julgava de tão baixa qualidade e tão íntimo que eu sentia medo.

Acho que ainda tenho medo de me expor. Tenho medo de mostrar esta versão que escreve e coloca sua alma no papel porque é alguém diferente da pessoa que anda por aí, tem cabelos cacheados, faz faculdade de jornalismo e gosta de sair com os amigos. Sou muito mais introspectiva, medrosa e insegura do que pareço. Mas esta pessoa vai ficando para trás aos poucos; e dou lugar sim a tal profissional assessora de imprensa que descobriu nesse mundo blogueiro uma maneira de expor seus sentimentos. Uma pessoa que não tem medo nenhum de ser feliz, e consegue viver sua vida de uma maneira espontânea e sem ligar para os conceitos pré-estabelecidos. E que tenta não apagar seus textos, depois de dois parágrafos escritos.

Mas ainda sou uma menina quando vai escrever, e se lembra sempre de todos os poemas de amor que escrevia no colégio para o garoto bonitinho que nunca daria bola pra ela… E transparece suas fragilidades e que se sente uma adolescente ao escrever textos como este. Mas que começa a ter consciência que textos assim também são bons.

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Nós

Por Cássia Alves

Começamos assim. Cinco, amigos de faculdade, batendo papo sobre tudo que gostamos e temos de comum em nossas vidas e gostos. Da cabeça de um, surgiu uma idéia que nos uniria mais ainda. Cada um de nós escrevendo sobre aquilo que mais gosta. Cada um com seu tema, mas juntos. E assim, em reuniões em um ou dois botecos, na Starbucks, entre uma cerveja ou uma porção, entre um café e outro, entre uma fofoca sobre alguém, uma piadinha ou um comentário ácido, nasce este projeto em que colocamos muita fé que será um grande negócio.

Todos nós, apaixonados e inseridos no mundo digital, estudantes de comunicação, com seus blogs próprios, agora com a chance de podermos escrever juntos. Cada um com seu tema, claro, mas sempre sabendo sobre o que o outro está fazendo, e talvez até interagindo com o post do outro… Colaborativo ao extremo! Já que isso está tão na moda… Vamos ver o que a gente consegue.

Afinal, tem tantos blogs de grupos por aí… Mas o nosso tem uma diferença: somos amigos,  antes de tudo. Daqueles que se encontram na Starbucks e fazem reuniões de quatro, cinco horas sobre algo que queremos fazer juntos, mas a maior parte do tempo é gasta em fofocas e conversas sobre a vida… E isso nos faz diferentes: manteremos este projeto como nossa maneira de nos encontrar. Porque às vezes precisamos do motivo sério para nos encontrar, para irmos à casa uns dos outros depois do trabalho para uma pizza ou um filme, ou até mesmo caminhar pela Paulista e falar do tal projeto…

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